Nos últimos dois posts do blog falei um pouco mais sobre uma vaga de emprego à qual estava concorrendo. Pois é, amanhã é o último dia dos testes, e estou deveras ansiosa, aguardando por um resultado positivo dos meus esforços em lembrar como se faz uma mala direta no Word, como faço um desenho vetorial no Corel Drawn e como se cria uma animação no Fireworks. Espero que as 4 horas diárias em pé, a paciência com alunos de 6 à 60 anos e a postura profissional me tragam o benefício de um emprego sério, garantido e satisfatório, afinal adorei esse período de uma semana de testes, adorei conhecer todos os alunos e esclarecer as mais diversas dúvidas, tanto dos alunos quanto minhas.
Ainda que não dê certo fico feliz em saber que tive a oportunidade de mostrar o meu melhor, claro, com todos os defeitos permitidos em uma atividade recém iniciada, mas com toda a cautela, paciência e desejos precisos de demonstrar seriedade e compromisso com a tarefa imposta até então.
Desejem-me boa sorte. Amanhã realmente vou precisá-la.
Enquanto não voltem com novidades fica aqui um texto publicado na coluna do Antônio Prata na revista Caprichodesta quinzena, que chegou em minha casa esse fim de semana:
Antônio Prata acabou de pedir sua atenção
E se o mundo real fosse como um MSN e cada um pudesse escolher o seu status? E, quem sabe, passear offline, como uma mosquinha invisível, por aí? Antônio Prata reflete.
Há quem pense, ao deitar a cabeça no travesseiro, que precisa beber menos ou parar de fumar. Eu resmungo comigo mesmo, ultimamente, que devo entrar menos no messenger. Acometido por uma certa compulsão social, nas últimas semanas meu trabalho tem sido continuamente fatiado pelos interruptos brrrrrrlumps!, anunciando que alguém acaba de conversar comigo. As tardes voam, pontuadas pelas ansiosas tragadas de comunicação.
Esse contínuo bate-papo virtual mestá me deixando meio bitolado. Começo a imaginar como seria o mundo se usássemos as mesmas ferramentas do msn. O negócio do status, por exemplo. Conheço muitas pessoas que não param de trabalhar e deveriam andar permanentemente com um crachá escrito "ocupado". Diante de outras, seria bom receber o aviso "fulano pode não responder, pois seu status está definido como ausente". Pais ausentes, amigos ausentes, namoradas e namorados ausentes é que não faltam por aí. Custava avisar?
Acho, mais ainda, que a lista de status é muito limitada. Seria bom, ao puxarmos papo com alguém, recebermos o aviso "beltrano pode dar respostas estranhas, pois seu status está definido como apaixonado". Sugiro ainda os status "discutindo relação", "com panela no fogo", "tentando trabalhar" e, mais importante, o aviso "não leve a sério o que sicrano está digitando porque são 4 horas da manhã, ele acaba de voltar de uma festa e seu status está definido como tinha caipirinha de saquê na faixa". (Ah, a que tragédias se arrisca um internauta embriagado!)
Outro recurso do msn que gostaria de trazer para o mundo dos vivos (ou ao "mundo ao vivo?”
é aquela carinha tremida sobre a qual você clica e a caixa de diálogo chacoalha: chamar a atenção. Numa conversa com uma garota que me olha com olhar blasê, ou com as pessoas que fingem não ouvir o que acabamos de dizer só para darem uma de superiores, bastaria, sei lá, apertar o nariz da interlocutora e prrrrrrrrrllllimmmm!
De todos os recursos, no entanto, o que eu mais tenho invejado ultimamente é "estar offline". Ah, como eu queria entrar numa festa como o bonequinho vermelho, andar pelo meio das pessoas sem ninguém me ver e falar só com aqueles a quem eu tivesse realmente algo a dizer.
Mundo estranho este, em que a gente vive, em que a solidão não é uma angústia, mas um desejo inalcançável. Você também é assim ou eu deveria começar a considerar o status "em crise"?



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